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quarta-feira, abril 2, 2025
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Seguro agrícola devolve 93% do que arrecada no Rio Grande do Sul

Estiagem, geadas, granizos, ventos fortes e enchentes. Com índice de sinistralidade de 93%, em 21 anos, o mercado de seguros agrícolas no Rio Grande do Sul vive um momento de alerta. No Brasil, esse índice é de 78% e, apesar de ser um pouco mais baixo do que no Estado gaúcho, também representa a necessidade de uma modernização no setor. A análise é do vice-presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Daniel Nascimento, um dos convidados do 10º Fórum do Trigo na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

“O que significa esses 93%? As seguradoras arrecadaram 100 e devolveram 93 para o produtor rural em forma de indenizações”, explicou Nascimento, nesta quarta-feira, dia 12.

Nesse cenário, ele acrescenta que as grandes perdas na produção agrícola em virtude dos extremos climáticos nos últimos cinco anos, sendo quatro muito significativas, afugentaram as seguradoras do Rio Grande do Sul.

“Maior volume de subvenção e um fundo de catástrofe é de fundamental importância para as seguradoras voltarem e continuarem a atender (o Estado gaúcho)”, alertou, destacando que o maior prejudicado com a situação é o produtor rural. Na questão da subvenção, ele recordou, por exemplo, que no passado o percentual era de 70% para a cultura do trigo e, atualmente, 40%.

Sobre os índices de sinistralidade, Nascimento complementa que o Paraná é o segundo maior na relação sinistro x prêmio, que há risco também na região Centro-Oeste do Brasil.

“De modo geral Mato Grosso está com uma sinistralidade de 60%. Lá, o impacto da estiagem acaba sendo menor do que no Rio Grande do Sul ”, compara, recordando que até o ano de 2019 o resultado da produção agrícola gaúcha seguia com bom desempenho. “A partir da pandemia é seca atrás de seca. Então se não tiverem mudanças estruturais será difícil (a volta) do mercado segurador”, apontou.

Conforme Nascimento, a FenSeg está em diálogo constante com o poder público para efetuar esses projetos, sobretudo o fundo de catástrofe, que é importante não só para as seguradoras, mas no final será o produtor que vai ter um amparo. “Talvez não seja o modelo ideal no início mas ao longo do tempo vai se implantando”, sublinhou.

No evento, o vice-presidente da FenSeg elencou os principais desafios para a expansão do seguro rural no país. São eles: cortes e contingenciamento no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o fomento da participação dos estados no programa de subvenção ao prêmio, a constituição de banco de dados unificada, Fundo de Catástrofe, a necessidade de disseminar a cultura do seguro entre os produtores e a dispersão e massificação do risco.

Para cada item da lista de gargalos no setor Nascimento também apresentou alternativas de soluções: a inclusão de recursos do PSR nas Operações Oficiais de Crédito (OOC); a permanência do produtor na atividade gerando riqueza e arrecadação; melhor oferta de produtos aos segurados; disseminação de conhecimento junto às cooperativas, federações e lideranças do agro; e a combinação de crédito mais seguro e seguro mais crédito.

Principais riscos

  • Perda de qualidade do produto;
  • Perdas ocasionadas por pragas e doenças;
  • Queda do preço (exceção para produto faturamento);
  • Área colhida (aviso de sinistro pós colheita);
  • Plantio fora do ZARC;
  • Plantio no pó;
  • Alteração do local do risco/área plantada sem comunicação prévia;
  • Seca em culturas irrigadas;
  • Semente própria (semente salva) sem Anexo XIX

Fonte: Correio Do Povo

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